Uma nova portaria regulamentada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) alterou as regras de trânsito na capital e impactará diretamente o serviço de transporte de passageiros em Ribeirão das Neves. A partir desta semana, os táxis licenciados em Neves e em outros municípios da Região Metropolitana que não possuem acordo formal com a capital estão proibidos de trafegar pelas pistas exclusivas do Sistema Move e pelas faixas destinadas aos ônibus urbanos de BH.
Até então, os motoristas vinculados a Ribeirão das Neves podiam utilizar os corredores rápidos — como os das avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Cristiano Machado — ao transportarem passageiros em direção ao centro de Belo Horizonte ou a polos hospitalares. A permissão era uma alternativa para fugir dos congestionamentos nos horários de pico.
Com a nova determinação, motivada por uma recomendação da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), apenas os táxis regulamentados pela própria capital (gerenciados pela Sumob/BHTrans) mantêm o direito de circular livremente pelas faixas seletivas.
Para os profissionais que saem das frentes de Justinópolis ou da região central de Neves, a proibição representa aumento no tempo das viagens e potencial encarecimento nas corridas metropolitanas feitas pelo taxímetro.
A proibição não é necessariamente definitiva, mas depende de articulação política. O texto prevê que táxis da região metropolitana possam reaver o acesso às faixas rápidas de Belo Horizonte desde que haja a assinatura de um convênio formal de integração mútua entre as duas prefeituras.
O sindicato intermunicipal da categoria (Sincavir) informou que já iniciou o papel de intermediador para abrir canais de diálogo com as administrações municipais da Grande BH, visando restabelecer o direito de tráfego dessas praças na capital e minimizar os prejuízos aos motoristas e usuários da região.
O cantor e compositor nevense Guilherme Barros está oficialmente na disputa do tradicional Concurso de Bandas do João Rock, um dos maiores festivais de rock e cultura alternativa do Brasil. O objetivo é garantir uma vaga para se apresentar em um dos palcos principais do evento, que atrai anualmente dezenas de milhares de pessoas.
A primeira etapa do concurso depende diretamente do engajamento popular. O público pode votar no artista local por meio da plataforma oficial do festival, ajudando a impulsionar a música produzida na Região Metropolitana de Belo Horizonte para o circuito dos grandes festivais do país.
O Gigante João Rock
Realizado anualmente em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o Festival João Rock consolidou-se, ao longo de mais de duas décadas, como o principal termômetro e ponto de encontro da música brasileira voltada ao rock, pop, reggae e hip-hop. O evento é conhecido por montar line-ups históricos, reunindo lendas da música nacional e os nomes mais influentes da atualidade em um único dia de programação intensa.
Mais do que um espaço de entretenimento, o festival se tornou um polo difusor de tendências e uma plataforma de consagração para o mercado fonográfico brasileiro.
A importância da representatividade periférica
Para além do mérito individual, a possível presença de um artista como Guilherme Barros no line-up do João Rock carrega um significado social e cultural profundo para Ribeirão das Neves. Historicamente, os grandes palcos nacionais tendem a centralizar o acesso aos circuitos de fomento e visibilidade nas capitais, criando barreiras invisíveis para a produção cultural que ferve nas periferias e regiões metropolitanas.
A trajetória de Guilherme Barros até a seletiva do festival joga luz sobre o amadurecimento e a qualidade técnica da cena musical nevense. Ter um representante da cidade em um evento dessa magnitude quebra estereótipos, demonstra que a periferia é polo exportador de arte e serve como um combustível de inspiração e autoestima para novos talentos locais que buscam profissionalizar suas carreiras no mercado da música.
Como votar e apoiar
As votações para o Concurso de Bandas ocorrem de forma virtual. Para apoiar o músico nevense e registrar o seu voto, basta acessar o link oficial de votação do artista:
🔗 concurso.joaorock.com.br/banda/guilherme-barros
A GPA, empresa responsável pela administração do Complexo Penitenciário Público-Privado (CPP/RNS-I) em Ribeirão das Neves, está com processos seletivos abertos para reforçar seu quadro de colaboradores na unidade. Primeira iniciativa do país a operar no modelo de Parceria Público-Privada (PPP) no sistema prisional, a concessionária busca profissionais alinhados com suas diretrizes de eficiência, segurança e ressocialização.
As oportunidades abrangem diferentes níveis de escolaridade e setores de atuação. Estão disponíveis vagas para Monitor de Ressocialização Prisional — função voltada para o acompanhamento dos internos e garantia dos procedimentos internos —, além de postos na área corporativa e operacional, como Analista Contábil, Analista Jurídico, Auxiliar Administrativo (incluindo vagas exclusivas para PCD), Auxiliar de Manutenção e Auxiliar de Saúde Bucal. A instituição também abriu oportunidades de estágio para estudantes de Direito, Serviço Social e áreas ligadas à Educação.
Quem tiver interesse em se candidatar deve realizar o cadastro exclusivamente pela internet. O recebimento de currículos e o detalhamento dos pré-requisitos de cada função estão centralizados na página oficial de recrutamento da empresa, hospedada na plataforma Gupy (vagasgpappp.gupy.io). A concessionária também disponibiliza um Banco de Talentos para futuras contratações no município.
A trajetória de um atleta é feita de escolhas, quedas e, acima de tudo, busca por equilíbrio. Para um dos grandes nomes do slackline, Gustavo GTO, que consolidou sua carreira em Ribeirão das Neves, o domínio da fita elástica se transformou em um passaporte para o cenário internacional. Hoje, integrando o elenco de um renomado teatro de um parque de diversões na Alemanha, o esportista conversou com o portal ribeiraodasneves.net e relembrou sua caminhada marcada pela resiliência, a importância do projeto social Neves na Fita e o orgulho de carregar a identidade da periferia para o exterior.
A fita que mudou o destino: De Natal a Ribeirão das Neves
A história com o esporte começou de forma despretensiosa, há 12 anos, durante uma viagem de férias. O que era apenas um passatempo de veraneio rapidamente se transformou em estilo de vida. O jovem começou a se destacar pela técnica e a criar laços fortes no meio esportivo, até que chegou a um momento de transição pessoal, em que buscava novos desafios e motivação.
Foi quando recebeu o convite dos atletas Darllyon Arraujo, Alisson Ferreira e Hendle Santos para integrar o grupo Neves na Fita. A resposta foi imediata: o atleta arrumou as malas com o que tinha de roupas e deixou Natal, no Rio Grande do Norte, rumo a Ribeirão das Neves.
"A cidade me acolheu e foi aqui que construí grande parte da minha caminhada no slackline. Vim em busca de oportunidade, de crescimento e também de um ambiente onde eu pudesse evoluir como pessoa. Aos poucos fui criando raízes e entendendo que Neves fazia parte da minha trajetória", relembra.
O grupo nevense foi o pilar central na sua transição de praticante para atleta de alto rendimento e profissional da área, espaço onde ele também pôde atuar compartilhando sua bagagem técnica com os novos integrantes.
A periferia como escola de resiliência e criatividade
Como a maioria dos atletas que vêm da base comunitária, o caminho foi repleto de obstáculos. A escassez de estrutura, as barreiras financeiras, a falta de patrocínio e o ceticismo de terceiros foram desafios constantes. No entanto, a mentalidade moldada na "quebrada" transformou a escassez em combustível criativo.
"A quebrada me ensinou a ser forte, criativo e a nunca desistir. Quando a gente cresce com pouco, aprende a dar valor a cada oportunidade e a fazer muito com quase nada. A periferia me deu humildade, visão de realidade e também coragem. Aprendi a improvisar, a correr atrás e a acreditar no meu potencial mesmo quando o cenário parecia difícil. Tudo isso eu levo comigo para qualquer lugar do mundo."
Para o atleta, a própria essência do slackline serviu como metáfora para enfrentar a vida: a necessidade de se manter resiliente, persistente e focado, entendendo que "vencer na vida" vai muito além de conquistas materiais, consistindo em manter-se de pé e evoluir constantemente.
O passaporte carimbado: O reconhecimento internacional
A virada de chave definitiva veio através da visibilidade conquistada com anos de dedicação, potencializada pelas redes sociais e conexões construídas no meio artístico do esporte. O reconhecimento cruzou o oceano com um convite para trabalhar no teatro de um dos parques de diversões mais renomados da Alemanha.
O momento de embarque e o carimbo no passaporte trouxeram à tona as memórias de toda a jornada.
"Foi uma mistura de emoção, gratidão e orgulho. Naquele momento passou um filme na minha cabeça: os treinos, as dificuldades, os dias em que pensei em desistir e todas as pessoas que me ajudaram na caminhada. Eu percebi que o sonho que começou lá atrás, de forma simples, estava me levando para o mundo", conta, emocionado.
De aprendiz a referência para a nova geração
Hoje, brilhando nos palcos europeus, o atleta não esquece de onde veio e celebra o fato de ter se tornado uma referência viva para as crianças e jovens que estão dando os primeiros passos no projeto Neves na Fita, na mesma cidade que um dia o acolheu.
Para ele, ocupar essa posição é uma responsabilidade que carrega com orgulho. A expectativa é que sua história funcione como um espelho, mostrando que a dedicação ao esporte e a valorização das próprias origens são capazes de abrir portas antes inimagináveis. "Se minha caminhada puder mostrar para alguém que é possível sonhar grande através do esporte, então tudo já valeu a pena", finaliza.
Por Marcos Antônio Silva
Na coluna anterior, falei um pouco da pesquisa realizada pelo Observatório de Ribeirão das Neves sobre a migração japonesa no Bairro Areias, com a chegada, na década de 40, de membros da família Takahashi a essa localidade. Este artigo tem como objetivo explicar o nosso interesse pelo tema e os próprios motivos que levaram a equipe do Observatório a pesquisar essa temática.
Desde a década passada, atuo como professor de sociologia na Escola Romualdo José da Costa, situada na região do Bairro Areias, e, já nos primeiros anos de docência nessa unidade, percebi a presença de alunos membros da família Takahashi em minhas turmas. Um fato que me chamava a atenção no comportamento desses jovens era que seus projetos de vida não passavam por uma maior escolarização, como acesso a curso técnico ou ingresso na universidade, mas sim por reproduzir uma espécie de rito de passagem vivenciado por membros de sua família, que era completar 18 anos e migrar para o Japão. Tendo em vista que, por sua condição de nissei (filhos de japoneses), sansei (netos de japoneses) e yonsei (bisnetos de japoneses), desfrutavam de facilidade para ingressar como imigrantes no Japão.
Frente ao total desalento desses estudantes em relação ao projeto da escola, sempre me fiz as seguintes perguntas: como devo orientá-los? Será que, de fato, migrar para o Japão era um bom negócio? Caso a resposta fosse positiva, eu teria de adaptar as minhas aulas para esses estudantes, pois não faria sentido prepará-los para fazer o ENEM e/ou viver no Brasil, tendo em vista que eles possuíam, devido à sua condição de descendentes de japoneses, um atalho para uma vida melhor. Mas eu não tinha certeza se essa vantagem era real, por isso me propus a pesquisar o tema.
Os estudos acadêmicos sobre o tema me davam pistas contrárias ao caminho fácil descrito pelos meus alunos. As respostas sempre traziam o termo decasségui para classificar os brasileiros que trabalhavam no Japão. Essa expressão japonesa pode ser traduzida como “trabalhar longe de casa” e também era sinônimo de jornadas de trabalho exaustivas, mal remuneradas, em funções insalubres que os japoneses se recusavam a fazer. Mas, mesmo assim, frente aos relatos dos estudantes e à sua convicção em migrar para a terra do sol nascente, não me senti completamente à vontade para colocar questões frente a um projeto tão sólido e promissor, mas também não me sentia à vontade para abrir mão de orientá-los a ver a escola como um plano B, pois “vai que não dá certo as coisas lá no Japão”.
A dúvida do educador foi dirimida quando vimos a oportunidade de fazer uma pesquisa sobre esse tema ao sermos proponentes de um projeto de pesquisa em edital da Secretaria de Cultura de Ribeirão das Neves, via Lei Aldir Blanc, no qual propusemos, pelo Observatório de Ribeirão das Neves, uma pesquisa sobre migração japonesa na cidade. Nessa investigação, tive a oportunidade de entrevistar várias pessoas dessa família que migraram para o Japão e retornaram ao Brasil. Nessas entrevistas, pude colocar diretamente essa questão: o que dizer para um jovem dessa família que deseja migrar para o Japão?
Entre as respostas, um entrevistado me surpreendeu ao me devolver a pergunta: “O que você acha de trabalho escravo?”. E, ao desenvolver sua resposta, afirmou que: “entre ser escravo no Brasil, submetendo-se a longas jornadas de trabalho mal remuneradas, ou ser escravo no Japão, submetendo-se a condições de trabalho piores que as enfrentadas no Brasil, é melhor ser escravo no Japão, porque pelo menos lá a gente ganha mais, mas bom mesmo é não ser escravo”. Nas entrevistas, acumularam-se descrições de relatos de humilhação e preconceito aos quais os japoneses submetiam os brasileiros pelo fato de serem brasileiros, tendo em vista que, mesmo sendo descendentes, eles eram entendidos pelos japoneses como uma raça inferior e, por isso, serviriam apenas para trabalhar em empregos desqualificados e submetidos a jornadas de trabalho que os levariam à exaustão.
A questão de gênero também se destacou, pois culturalmente a sociedade japonesa desvaloriza sistematicamente as mulheres, a ponto de entender que elas trabalharem fora de casa era um privilégio que só poderia ser acessado depois que realizassem as tarefas domésticas. Essa condição atingia diretamente as brasileiras descendentes de japoneses que migravam para aquele país, pois eram obrigadas a exercer as mesmas tarefas que os homens, mas recebendo, às vezes, metade do salário. Caso se queixassem dessa condição, eram lembradas de que ali não era o seu país e que trabalhar no Japão era um privilégio que cobrava seu preço.
Nesse sentido, a questão da produtividade, superelogiada por pessoas que comparam o Japão com o Brasil, especialmente empresários em tempos festivos como o carnaval, foi colocada em questão, tendo em vista que essa produtividade é obtida pela exploração máxima dos trabalhadores, e mais intensamente sobre os imigrantes, à custa da sua saúde física e mental.
Outro ponto crítico nos relatos dos entrevistados era a questão da sociabilidade. O choque cultural entre essas duas culturas se mostrou algo incontornável, tendo em vista que, socializados em uma sociedade afetiva e calorosa, os brasileiros encontravam no Japão uma sociabilidade altamente disciplinada, hierárquica e austera, que era elevada à enésima potência por serem brasileiros e entendidos na hierarquia social japonesa como “naturalmente inferiores”. Nesse sentido, destaca-se a condição dos filhos de brasileiros que migraram com seus pais e sofreram esse choque. Nos relatos, é afirmado que o único ponto de contato era a escola, onde os brasileiros eram alvo de constantes casos de bullying, que definitivamente não era problematizado como aqui no Brasil, tendo como consequência a produção de quadros de depressão nessas crianças, frente às constantes violências de caráter racial infligidas a elas pelo simples fato de serem brasileiras.
Por fim, um fato que se mostrou decisivo para o retorno da maioria dos entrevistados ao Brasil, que é o dilema de todo imigrante, foi o custo de ficar longe das pessoas que amam por tanto tempo. Eles relataram que não há dinheiro que compense a dor de estar longe de um pai, uma mãe, um filho ou outro familiar no momento em que eles mais precisam. Portanto, o custo e/ou as vantagens da migração não podem ser pesados, segundo os entrevistados, apenas pelo valor econômico.
Respondendo objetivamente à questão colocada sobre o que diriam para os jovens que pensavam em migrar para o Japão, eles foram unânimes em dizer que esses jovens deveriam investir em uma carreira aqui no Brasil, pois aqui teriam maior chance de ter uma vida próspera, saudável e rica nas diferentes acepções dessa palavra, para além do sentido econômico, do que lá no Japão. Tendo em vista que grande parte dos jovens que optaram por migrar para o Japão, ao retornarem, voltavam sem uma profissão e, ao enfrentarem novamente as dificuldades financeiras, justamente por não possuírem uma boa qualificação, cogitavam retornar para o Japão mesmo sabendo das condições que os esperavam.
Essas respostas me levaram a refletir inclusive sobre a visão que temos do Japão, dos Estados Unidos, de Portugal e de outros destinos escolhidos por brasileiros para “ter uma vida melhor”, é muito influenciada pelo que o dramaturgo Nelson Rodrigues chamou de “síndrome de vira-lata”. Os relatos dos entrevistados me levaram a pensar que a sociedade brasileira, mesmo com todos os seus problemas, especialmente ligados à grande concentração de renda, que gera a contraditória posição de um país rico com muita pobreza, consegue equilibrar a relação entre vida e trabalho quando comparada a outros países, especialmente o Japão, campeão em produtividade, mas a qual custo para sua população? Porque, ao contrário do ditado popular, tempo para viver com quem se ama, para se divertir e ter uma vida rica vale muito mais do que dinheiro, e isso tem muito a ver com as discussões sobre o fim da escala 6x1.
Obra documental registra o cotidiano de crianças e adolescentes do Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário, destacando a continuidade das tradições e a força da identidade negra.
No próximo dia 29 de maio (sexta-feira), às 20h, o Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário será o cenário do lançamento do fotolivro “Griots do Amanhã: A Participação de Crianças e Jovens no Quilombo Nossa Senhora do Rosário – Justinópolis- MG.”. O projeto é um mergulho visual e narrativo em um território onde a geografia se funde à memória, apresentando a infância quilombola não como um tempo isolado, mas como a pulsação viva de uma história secular.
O fotolivro revela como crianças e adolescentes do Quilombo Justinópolis ocupam o papel de guardiões da tradição. Através de imagens e textos sensíveis, a obra demonstra que o aprendizado no quilombo acontece no corpo: no toque do tambor, no giro da dança e na escuta atenta aos mais velhos.
Diferente de uma visão estática da cultura, “Griots do Amanhã” mostra jovens que transitam com naturalidade entre a tradição e a contemporaneidade. “As imagens revelam histórias em continuidade. São crianças que habitam o presente, conectadas ao passado e comprometidas com o futuro”, destaca o texto de apresentação da obra.
O projeto enfatiza que, no Quilombo, a identidade não é um conceito abstrato, mas uma experiência cotidiana de pertencimento. Em um mundo que frequentemente silencia a infância negra, o Quilombo se afirma como um espaço de liberdade, autoestima e reconhecimento, onde o som do tambor orienta a experiência coletiva e ensina sem a necessidade de palavras.
O livro também presta homenagem aos mais velhos, figuras centrais na formação das novas gerações. A relação intergeracional, marcada pelo respeito e pelo afeto, garante que o passado se mantenha presente. Ao tocar um instrumento ou participar de um ritual, cada jovem reforça um elo com os ancestrais e garante a permanência da cultura local.
O lançamento no dia 29 de maio será uma celebração desta rede de afetos, convidando o público a olhar com cuidado para a força das infâncias quilombolas — uma história que insiste em viver e se renovar.
No lançamento, haverá também apresentações musicais do Coral Vozes de Campanhã e de Marcos Brey, artistas de Ribeirão das Neves que incorporam em seus repertórios reflexões sobre questões raciais, identidade e pertencimento.
De acordo com a coordenadora do projeto, Maria Clara Ribeiro Soares “O fotolivro veio de um processo de pesquisa de anos no Quilombo do Rosário de Justinópolis e fico muito feliz em vê-lo pronto e saber que irá circular pela cidade para que todos tenham acesso a beleza e riqueza que é a relação dos mais novos com o Quilombo.”
SERVIÇO
Evento: Lançamento do Fotolivro “Griots do Amanhã”
Data: 29 de maio (sexta-feira)
Horário: 20h
Local: Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário (Justinópolis)
Entrada: Gratuita
Dias atrás tive a felicidade de compartilhar um momento de rara felicidade, que foi a comemoração das “Bodas de Ouro” de meus primos Lúcio e Rose.
Tudo levava a crer ser mais uma cerimônia seguindo os protocolos habituais que somos acostumados a seguir.
Mas assim que se iniciou a cerimônia, foram surgindo surpresas que enriqueceram e abrilhantaram a comemoração, encantando a todos que se fizeram presentes.
Pais de 01 filho 3 filhas e uma neta, que se propuseram abençoar a renovação, sem presenças de autoridades religiosas.
A partir dai o evento passou a ser único, caracterizando a cumplicidade e os laços afetivos da família.
Os filhos, cada um deles externando seus agradecimentos e admiração pelos pais, com palavras vindas de dentro do coração, deixando nítida impressão de sinceridade, sem nenhum compromisso protocolar, deixando todos com semblante de emoção.
A netinha, (um show a parte), cantou lindamente a música para entrada dos padrinhos e das alianças. Depois falou dos avós, como sendo o que de mais importante existe no mundo.
Após a renovação dos votos feita pelo jovem casal que completou 50 anos de casados, cada um a sua maneira, repassou a homenagem que seria para eles, para as pessoas que os rodeiam no dia-dia, sem esquecer os que partiram para outra missão, demonstrando o valor e a importância que dão para a família e para as pessoas.
Apesar de tudo estar impecável, desde a linda Cerimônia de Bênçãos, decoração, guloseimas e repertório musical, o que importava para eles, era a alegria do reencontro com os que lhes são caros.
Tenho a convicção de que, quem nos lê, tenha o entendimento de que tudo que externai é pertinente a este tipo de comemoração. E é mesmo!
Ocorre que a magia do evento, que fez com que até os mais insensíveis se vissem a enxugar lágrimas de emoção, se tornasse único, e portanto impossível descrever através de uma narrativa. Ali, pudemos reviver a força do laço familiar.
Ali reencontramos e abraçamos amigos e parentes queridos, que tiveram de seguir suas trajetórias, mas permaneceram fazendo parte e tendo importância em nossas vidas. E foi exatamente isto que o casal solicitou a todos. “aproveitem este momento, se permitam serem abraçados, abracem, revivam, vivam, dancem, vivam enquanto estiverem vivos, pois nosso maior patrimônio... São as pessoas!”
Ainda impregnado com alegria incontida de ter podido estar neste momento inesquecível, só me resta agradecer aos jovens noivos pela honra.
Ali, senti a força e a importância de ser e ter FAMÍLIA!
O Instituto O Grito consolidou sua posição como uma das grandes referências de gestão no Terceiro Setor brasileiro durante o FIFE 2026 (Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica). Considerado o maior evento da área no país, o fórum aconteceu na capital pernambucana entre os dias 14 e 17 de abril, reunindo as principais lideranças e organizações da sociedade civil para debater inovação e sustentabilidade institucional.
O Reconhecimento pela Fundação Dom Cabral
A trajetória do Instituto foi o centro das atenções em um painel conduzido pela Fundação Dom Cabral (FDC), uma das escolas de negócios mais prestigiadas do mundo. A FDC utilizou a organização mineira como um case de sucesso para ilustrar a maturidade organizacional e a evolução da liderança no campo social.
Durante a apresentação, a FDC detalhou a jornada estratégica do Instituto, focando especialmente na transformação do papel de seu fundador e CEO, Léo Martins. O modelo de gestão apresentado baseou-se em quatro pilares fundamentais:
De Executor a Estrategista: A transição essencial da liderança operacional para o campo da estratégia, viabilizando o crescimento da instituição.
Visão de Horizonte: A competência de antecipar tendências e planejar o futuro organizacional com foco no longo prazo.
Gestão Baseada na Confiança: O fortalecimento da equipe interna como elemento central para uma governança eficiente.
Delegação e Impacto: O entendimento de que descentralizar processos é o motor necessário para multiplicar o impacto social no território.
Referência Técnica e Social
O destaque no FIFE 2026 valida o processo de profissionalização das operações do Instituto O Grito em Ribeirão das Neves (MG). Para além do trabalho de campo, o reconhecimento posiciona a entidade como uma referência técnica nacional.
"A eficiência administrativa e o uso estratégico da tecnologia são pilares essenciais para a transformação social e o alcance da dignidade humana".
Com essa validação, o Instituto demonstra que a gestão de excelência não é exclusividade do setor privado, mas uma ferramenta indispensável para organizações que buscam escala e sustentabilidade em suas causas.
A pergunta que dá título a este texto motivou pesquisa realizada pelo Observatório de Ribeirão das Neves, tendo em vista a forte presença, na região de Justinópolis e Areias, de famílias de origem japonesa. Nosso objetivo foi reconstruir os caminhos e descaminhos que levaram os pioneiros da família Takahashi a abandonarem a sua terra natal e migrarem para o Brasil.
Essa saga se inicia no ano de 1926, ou seja, completa 100 anos em 2026, quando os patriarcas dessa família, Motokichi e Kendiro Takahashi, chegaram ao Brasil para trabalhar nas fazendas de café no interior de São Paulo. O contexto em que viviam o Brasil e o Japão é de fundamental importância para compreender a trajetória vivida por essa família. Naquele período, o Japão enfrentava uma crise populacional e incentivava seus cidadãos a irem para outros países adquirir riqueza e retornar, o mais breve possível, trazendo recursos para ajudar a desenvolver o país. Esse incentivo chegava ao ponto de permitir que os cafeicultores paulistas fizessem propaganda para recrutar japoneses a virem para o Brasil, no intuito de trabalharem nas fazendas do “ouro negro”, ou seja, do café.
Já o contexto brasileiro era marcado pela crise do perverso projeto eugenista brasileiro, que, com o fim da escravidão, tinha o propósito de “clarear a raça” do país, trazendo para o Brasil imigrantes alemães e italianos — nações que, no final do século XIX e início do XX, enfrentavam fortes quadros de pobreza e guerra — para substituir a mão de obra tradicionalmente exercida pelos negros. A questão era que, no início do século, o governo brasileiro enfrentava problemas para trazer novos imigrantes italianos e alemães, pois os governos de seus respectivos países haviam proibido a vinda de seus cidadãos para trabalhar nas fazendas do interior paulista, diante de denúncias de escravidão por dívida. Ou seja, assim como fizeram com a população de origem africana, buscavam escravizar alemães e italianos, dessa vez pela modalidade de escravidão por dívida.
Frente a essa proibição, os cafeicultores paulistas, com incentivo do governo brasileiro, mesmo enfrentando o preconceito dos brasileiros frente à “raça amarela”, resolveram suprir essa lacuna de mão de obra incentivando a imigração japonesa e, em uma dessas levas, os pioneiros da migração japonesa em Neves chegaram ao Brasil.
O cenário que encontraram não foi nada diferente do apresentado aos italianos e alemães. As promessas de prosperidade e riqueza se desfizeram no próprio Porto de Santos. Como haviam contraído dívida referente à viagem e aos próprios custos de se instalarem na fazenda paulista, passaram, desde o primeiro momento, a viver sob o jugo do fazendeiro paulista. Essa realidade fez com que os membros da família Takahashi se mobilizassem para fugir dessa condição, migrando primeiramente para a cidade de Uberlândia e, logo em seguida, vindo para a recém-fundada capital mineira.
Em Belo Horizonte, Motokichi e Kenjiro, os dois heróis dessa saga, junto com outros membros de sua família, instalaram-se na região hoje conhecida como Venda Nova e, ao arrendarem uma grande extensão de terra, fundaram a Fazenda Mikado. Essa propriedade agrícola, devido aos conhecimentos técnicos trazidos do Japão por Motokichi e Kenjiro, no que diz respeito ao cultivo da terra, em poucos anos despontou na produção de hortifrutigranjeiros, suprindo não só a demanda da capital mineira, mas chegando a enviar produtos para a capital nacional, que naquela época era o Rio de Janeiro.
A estabilidade e os tempos de bonança da família Takahashi duraram pouco. Em 1942, a entrada do governo brasileiro na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, declarando o Japão — que compunha, com Alemanha e Itália, as nações do Eixo — como inimigo, fez com que passasse a perseguir todos os cidadãos japoneses que viviam no Brasil. Com isso, a Fazenda Mikado foi desapropriada pelo Estado brasileiro, todos os homens da família Takahashi foram presos e enviados para a Penitenciária Agrícola de Neves, e as mulheres e as crianças da família ficaram à própria sorte, encontrando abrigo no Bairro Areias, onde sobreviveram a duras custas durante anos, chegando a depender da ajuda de fazendeiros locais, que forneciam ossos do gado abatido para a sua alimentação.
Fato importante desse violento processo descrito acima é que a estadia dos homens da família Takahashi na Penitenciária Agrícola de Neves (PAN) ajudou a consolidar o próprio nome da unidade prisional, tendo em vista que, no tempo em que estiveram presos nessa unidade, receberam a permissão e o incentivo dos diretores para ensinarem técnicas de cultivo da terra aos demais detentos. Ao ponto de, após o fim das hostilidades entre Brasil e Japão com o término da guerra, mesmo depois de libertados, alguns membros da família continuarem trabalhando nessa função dentro da Penitenciária Agrícola de Neves.
Após a soltura dos homens da família Takahashi e o reencontro com as mulheres e crianças, com o fim da guerra — que teve como saldo a quase total destruição do Japão, inclusive com seu território sendo atingido por duas bombas atômicas —, o plano de enriquecer e voltar para o Japão não era mais possível, tendo em vista que, nas palavras dos próprios imigrantes, “não havia mais Japão para retornar”.
Com isso, as famílias Takahashi, mesmo com muito preconceito enfrentado por elas em contexto pós-guerra — preconceitos inclusive incentivados pelo próprio Estado —, resolveram se estabelecer na região do Bairro Areias e hoje configuram uma grande comunidade que representa um pedaço do Japão em Ribeirão das Neves, e que merece ter sua história valorizada e melhor conhecida.
Por isso, se você faz parte da família Takahashi e/ou sabe de alguma particularidade que possa nos ajudar a contar melhor essa história, pode entrar em contato conosco pelo seguinte endereço: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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