O balcão de empregos mais movimentado da região chega a Justinópolis nesta quarta-feira, 13 de maio. O Sine Neves realiza uma nova edição do Feirão de Emprego, oferecendo mais de 500 vagas destinadas a quem busca o primeiro emprego, a recolocação ou uma mudança de carreira sem precisar sair do município.
O evento acontece das 9h às 15h, na Escola Municipal Francisco Labanca. Estarão presentes 18 empresas de setores estratégicos como comércio, logística, indústria, segurança, construção civil, transporte e educação. Com salários que chegam a R$ 3.500, há oportunidades tanto para candidatos com experiência quanto para aqueles que buscam a primeira oportunidade.
Vagas "perto de casa"
O grande diferencial desta edição é que todas as vagas são para trabalhar em Ribeirão das Neves. A iniciativa visa combater um dado histórico: cerca de 50% da população economicamente ativa da cidade precisa se deslocar diariamente para trabalhar em outros municípios da Grande BH.
"O Feirão surge como uma resposta prática a essa realidade, aproximando empresas e trabalhadores e fortalecendo a economia local", destaca a organização. Entre as funções disponíveis estão professor, mecânico, motorista, monitor de ressocialização, auxiliar de logística e operador de produção.
Como participar
Na última edição, a iniciativa resultou na contratação imediata de 105 pessoas. Para participar desta vez, os interessados devem preencher previamente o formulário de inscrição online e comparecer ao evento portando currículo atualizado e documentos pessoais (RG, CPF, Carteira de Trabalho e comprovante de endereço).
A ação é uma parceria entre o Sine Neves e empresas locais, reforçando o compromisso da gestão municipal com a inclusão produtiva e a valorização da mão de obra da cidade.
Serviço
Evento: Feirão de Emprego Sine Neves
Data: 13 de maio (quarta-feira)
Horário: 9h às 15h
Local: Escola Municipal Francisco Labanca
Endereço: Rua Carmélia Loffi, 70, Centro de Justinópolis, Ribeirão das Neves
Inscrições disponíveis aqui https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeISKHvDYrmpeHoi6fJyidnZ4qKZCNbWysLlHAjU91gnC4xsw/viewform
No próximo sábado, dia 16 de maio, a Spiral Escola de Dança será palco de uma programação especial dedicada à formação artística. O projeto “Para inventar amanhãs dançantes - Capacitação do Soma Grupo de Dança” promove uma aula aberta ao público às 17h, seguida da apresentação da proposição cênica “No meio do caminho”, construída coletivamente pelos alunos. A entrada é gratuita e não é necessário retirar ingressos.
A iniciativa busca aproximar a comunidade do universo da dança contemporânea e compartilhar os resultados do processo de capacitação desenvolvido desde janeiro de 2026. Fundado em 2024 pela produtora Raquel Miranda, o Soma Grupo de Dança passou por uma renovação este ano, atraindo jovens interessados em aprofundar sua formação técnica e profissional. O projeto surgiu como resposta aos desafios enfrentados por jovens de baixa renda que desejam se profissionalizar no setor cultural.
Metodologia e Corpo docente
As experiências propostas ao longo da capacitação reúnem abordagens de educação somática, dança clássica e contemporânea. Um dos destaques foi a participação de Irene Ziviani, referência nacional e criadora do método “Articule-se”, que conduziu vivências de anatomia experiencial focadas no refinamento técnico dos integrantes.
Segundo Márcia Fabiano Neves, coordenadora da iniciativa, o objetivo é plantar uma “semente de confiança” para que os jovens reconheçam a dança como possibilidade concreta de profissão e transformação social. Além das atividades em Neves, o grupo visitará o CCBB, em Belo Horizonte, no dia 24 de maio, para assistir ao espetáculo “ZuZus”, do coletivo Mulheres em Dança, como parte da ampliação do repertório crítico.
O projeto é executado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Edital de Capacitações da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (SECULT-MG).
Serviço
Evento: Aula aberta e apresentação da proposição cênica “No meio do caminho”
Data e horário: Sábado, 16 de maio, às 17h
Local: Spiral Escola de Dança (Av. Denise Cristina da Rocha, 1690, Justinópolis, Ribeirão das Neves)
Entrada: Gratuita (com tradução em Libras)
A manhã deste domingo (10) foi marcada por uma manifestação pacífica em frente à sede da Igreja Céu Anil, no bairro de mesmo nome, na região de Venda Nova. Aproximadamente 500 pessoas, entre fiéis e moradores, reuniram-se para pedir a sensibilidade do Poder Judiciário em relação a uma decisão liminar de reintegração de posse que atinge o imóvel utilizado pela instituição há quase três décadas.
O ato, marcado por momentos de oração coletiva e cartazes com dizeres como "Nossa Igreja é da Comunidade", buscou dar visibilidade ao impacto social que a desocupação pode causar. Famílias, jovens e idosos participaram da mobilização, enfatizando o caráter espiritual e ordeiro do movimento.
Referência social e comunitária
A Igreja Céu Anil conta atualmente com cerca de 700 membros e é responsável por projetos que beneficiam diretamente mais de 1.500 pessoas. O espaço funciona como um centro de desenvolvimento humano na região, oferecendo gratuitamente ou a baixo custo atividades como:
Esportes: Aulas de jiu-jítsu e pilates.
Cultura e Educação: Aulas de balé, inglês e Libras.
Saúde e Bem-Estar: Hidroginástica e grupos de fortalecimento familiar.
O impasse jurídico
Segundo representantes da comunidade, o imóvel foi adquirido e ampliado ao longo de 28 anos exclusivamente com recursos provenientes de doações voluntárias e campanhas dos próprios membros. "Todas as benfeitorias realizadas no local foram custeadas pela membresia, que vê no espaço não apenas um templo, mas um patrimônio construído com esforço coletivo", afirmaram lideranças locais.
A defesa da instituição argumenta que a questão extrapola a disputa patrimonial. O foco agora é alertar as autoridades sobre o vácuo social que será deixado caso as atividades sejam interrompidas. A desocupação afetaria centenas de famílias que dependem do suporte educacional e assistencial oferecido no endereço.
Próximos passos
A comunidade declarou que pretende esgotar todas as vias democráticas e respeitosas para reverter a decisão. O grupo confia que a relevância social do trabalho desempenhado no bairro Céu Anil seja levada em conta na análise do mérito da ação de reintegração de posse.
Oportunidades para estudantes de graduação em diversas áreas são ofertadas em Belo Horizonte, com possibilidade de trabalho remoto. Inscrições estão abertas até 31 de maio.
Estudantes de graduação que buscam experiência profissional com bolsa e flexibilidade de trabalho já podem se candidatar a uma das 16 vagas de estágio abertas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG). As oportunidades oferecem bolsa mensal de R$ 1.508,42, auxílio-transporte de R$ 13,40 por dia presencial e possibilidade de atuação em regime híbrido, conforme as atividades desenvolvidas. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 31 de maio no site www.ifmg.edu.br.
As vagas são destinadas a estudantes de diferentes áreas do conhecimento, ampliando as chances de participação de candidatos com perfis diversos. Há oportunidades para cursos como Administração, Arquitetura, Comunicação, Direito, Economia, Engenharias, Ciências Sociais, Jornalismo, Ciência da Computação, Letras, Geografia, Pedagogia entre outros.
Os estagiários selecionados atuarão na Reitoria do IFMG, localizada no bairro Buritis, em Belo Horizonte. A carga horária é de 30 horas semanais, com possibilidade de organização das atividades entre momentos presenciais e remotos, a depender das demandas de cada setor. A experiência em uma instituição pública federal proporciona contato direto com rotinas administrativas, técnicas e institucionais, contribuindo para a formação profissional dos estudantes.
Etapas da seleção
O processo seletivo será realizado em duas etapas. A primeira consiste na análise documental e de títulos, com verificação dos requisitos mínimos e pontuação conforme critérios estabelecidos no edital. Já na segunda etapa, os candidatos deverão apresentar uma carta de apresentação, relatando sua trajetória acadêmica e motivação para a vaga, além de participar de entrevista, com datas divulgadas posteriormente.
Os interessados devem acessar a página de concursos do IFMG (portal.concursos.ifmg.edu.br) para consultar o edital 08/2026, conferir o cronograma completo e realizar a inscrição. É permitido se candidatar a mais de uma vaga, desde que o estudante atenda aos requisitos exigidos para cada área. Além das vagas de ampla concorrência, o edital prevê reserva de oportunidades para candidatos pretos ou pardos e pessoas com deficiência, em conformidade com a legislação vigente.
Após a aprovação, o estágio será formalizado por meio de Termo de Compromisso de Estágio (TCE), firmado entre o estudante, o IFMG e a instituição de ensino de origem. A duração inicial é de seis meses, podendo ser prorrogada até o limite de dois anos. Dúvidas podem ser esclarecidas por meio do edital ou pelo e-mail da comissão organizadora: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
No próximo dia 12 de maio, a cidade de Ribeirão das Neves sediará um plantão técnico voltado à certificação e regularização jurídica de comunidades tradicionais de terreiro. O evento será realizado na Casa Semifusa, no bairro Sevilha (2ª Seção), a partir das 15h.
A iniciativa é organizada pelo gabinete da deputada estadual Andréia de Jesus e tem como objetivo principal orientar lideranças religiosas sobre o processo de cadastro para o reconhecimento institucional como Comunidade Tradicional de Povos de Terreiro.
Assistência Técnica e Jurídica
Durante a atividade, os participantes receberão suporte sobre a organização documental necessária para a regularização dos territórios. O atendimento abrange:
Orientações sobre o processo de certificação oficial;
Consultoria jurídica para regularização de espaços;
Informações sobre direitos e acesso a políticas públicas específicas.
A ação é viabilizada por meio de emenda parlamentar e conta com o apoio de coletivos culturais e organizações parceiras da região. O projeto busca oferecer ferramentas práticas para que essas comunidades garantam sua proteção cultural e segurança jurídica.
Contexto e Justificativa
De acordo com a deputada Andréia de Jesus, a ação é uma medida de enfrentamento ao racismo religioso.
"O reconhecimento das comunidades tradicionais de terreiro é um passo fundamental na garantia de direitos históricos dessas populações. Nosso compromisso é construir políticas públicas que assegurem dignidade, respeito e proteção às tradições de matriz africana", afirmou a parlamentar.
O evento é gratuito e aberto a lideranças, representantes e integrantes de comunidades de matriz africana de Ribeirão das Neves e municípios vizinhos.
Serviço
Evento: Plantão de Certificação e Regularização – Comunidades de Terreiro
Data: 12 de maio
Horário: 15h
Local: Casa Semifusa
Endereço: Rua Cataguases, 73, Sevilha (2ª Seção) – Ribeirão das Neves/MG
Moradores de Ribeirão das Neves, contam com um reforço importante na saúde pública a partir desta quinta-feira (7). Uma carreta equipada com aparelhos de tomografia computadorizada chegou à cidade para oferecer exames gratuitos a pacientes da rede municipal de saúde.
Local e horário
O veículo está posicionado próximo à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no bairro Veneza. Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e a previsão é que a unidade móvel permaneça no município até o dia 15 de maio.
Fluxo de atendimento
Diferente de consultas de rotina, os exames de tomografia na carreta são destinados a pacientes que já possuem pedido médico e estão na fila de espera da Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo é desafogar a demanda reprimida e acelerar o diagnóstico de doenças graves, permitindo tratamentos mais precoces.
Impacto na região
A ação faz parte de um cronograma que percorre diversos municípios da Grande BH. "A presença da carreta agiliza o processo para o paciente que, muitas vezes, teria de se deslocar para outras cidades ou aguardar meses por uma vaga em hospitais fixos", destacam autoridades locais.
A Polícia Civil de Minas Gerais busca informações que levem ao paradeiro de Larissa Ellen Dias Mendes, de 29 anos, desaparecida desde o dia 26 de abril. A jovem foi vista pela última vez no bairro Sevilha, em Ribeirão das Neves.
Embora Larissa tivesse o costume de se ausentar por curtos períodos, a família afirma que o silêncio prolongado foge ao seu comportamento habitual, já que ela sempre manteve contato com os parentes. A mãe da jovem relatou que a filha sofre com a dependência química, fator que pode estar relacionado ao seu sumiço, mas a falta de notícias gerou um alerta imediato entre os familiares.
Pista crucial
Uma mensagem enviada por Larissa a um amigo antes de desaparecer tornou-se o foco central das buscas. No texto, ela indicava um endereço específico e pedia que fosse procurada naquele local "caso algo lhe acontecesse". Segundo os familiares, o ponto mencionado é uma região de mata de difícil acesso e conhecida pela periculosidade.
Investigação e apelo
A Polícia Civil já recebeu o registro do desaparecimento e analisa as comunicações eletrônicas da vítima. Familiares e amigos realizam buscas por conta própria e pedem a colaboração da comunidade.
Serviço: Como ajudar
Se você viu Larissa Ellen Dias Mendes ou tem informações sobre sua localização, utilize os canais oficiais. O sigilo é garantido.
Disque-Denúncia: 181 (Geral)
Polícia Civil (Divisão de Desaparecidos): 0800 282 8197
Polícia Militar: 190
O Instituto O Grito consolidou sua posição como uma das grandes referências de gestão no Terceiro Setor brasileiro durante o FIFE 2026 (Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica). Considerado o maior evento da área no país, o fórum aconteceu na capital pernambucana entre os dias 14 e 17 de abril, reunindo as principais lideranças e organizações da sociedade civil para debater inovação e sustentabilidade institucional.
O Reconhecimento pela Fundação Dom Cabral
A trajetória do Instituto foi o centro das atenções em um painel conduzido pela Fundação Dom Cabral (FDC), uma das escolas de negócios mais prestigiadas do mundo. A FDC utilizou a organização mineira como um case de sucesso para ilustrar a maturidade organizacional e a evolução da liderança no campo social.
Durante a apresentação, a FDC detalhou a jornada estratégica do Instituto, focando especialmente na transformação do papel de seu fundador e CEO, Léo Martins. O modelo de gestão apresentado baseou-se em quatro pilares fundamentais:
De Executor a Estrategista: A transição essencial da liderança operacional para o campo da estratégia, viabilizando o crescimento da instituição.
Visão de Horizonte: A competência de antecipar tendências e planejar o futuro organizacional com foco no longo prazo.
Gestão Baseada na Confiança: O fortalecimento da equipe interna como elemento central para uma governança eficiente.
Delegação e Impacto: O entendimento de que descentralizar processos é o motor necessário para multiplicar o impacto social no território.
Referência Técnica e Social
O destaque no FIFE 2026 valida o processo de profissionalização das operações do Instituto O Grito em Ribeirão das Neves (MG). Para além do trabalho de campo, o reconhecimento posiciona a entidade como uma referência técnica nacional.
"A eficiência administrativa e o uso estratégico da tecnologia são pilares essenciais para a transformação social e o alcance da dignidade humana".
Com essa validação, o Instituto demonstra que a gestão de excelência não é exclusividade do setor privado, mas uma ferramenta indispensável para organizações que buscam escala e sustentabilidade em suas causas.
A pergunta que dá título a este texto motivou pesquisa realizada pelo Observatório de Ribeirão das Neves, tendo em vista a forte presença, na região de Justinópolis e Areias, de famílias de origem japonesa. Nosso objetivo foi reconstruir os caminhos e descaminhos que levaram os pioneiros da família Takahashi a abandonarem a sua terra natal e migrarem para o Brasil.
Essa saga se inicia no ano de 1926, ou seja, completa 100 anos em 2026, quando os patriarcas dessa família, Motokichi e Kendiro Takahashi, chegaram ao Brasil para trabalhar nas fazendas de café no interior de São Paulo. O contexto em que viviam o Brasil e o Japão é de fundamental importância para compreender a trajetória vivida por essa família. Naquele período, o Japão enfrentava uma crise populacional e incentivava seus cidadãos a irem para outros países adquirir riqueza e retornar, o mais breve possível, trazendo recursos para ajudar a desenvolver o país. Esse incentivo chegava ao ponto de permitir que os cafeicultores paulistas fizessem propaganda para recrutar japoneses a virem para o Brasil, no intuito de trabalharem nas fazendas do “ouro negro”, ou seja, do café.
Já o contexto brasileiro era marcado pela crise do perverso projeto eugenista brasileiro, que, com o fim da escravidão, tinha o propósito de “clarear a raça” do país, trazendo para o Brasil imigrantes alemães e italianos — nações que, no final do século XIX e início do XX, enfrentavam fortes quadros de pobreza e guerra — para substituir a mão de obra tradicionalmente exercida pelos negros. A questão era que, no início do século, o governo brasileiro enfrentava problemas para trazer novos imigrantes italianos e alemães, pois os governos de seus respectivos países haviam proibido a vinda de seus cidadãos para trabalhar nas fazendas do interior paulista, diante de denúncias de escravidão por dívida. Ou seja, assim como fizeram com a população de origem africana, buscavam escravizar alemães e italianos, dessa vez pela modalidade de escravidão por dívida.
Frente a essa proibição, os cafeicultores paulistas, com incentivo do governo brasileiro, mesmo enfrentando o preconceito dos brasileiros frente à “raça amarela”, resolveram suprir essa lacuna de mão de obra incentivando a imigração japonesa e, em uma dessas levas, os pioneiros da migração japonesa em Neves chegaram ao Brasil.
O cenário que encontraram não foi nada diferente do apresentado aos italianos e alemães. As promessas de prosperidade e riqueza se desfizeram no próprio Porto de Santos. Como haviam contraído dívida referente à viagem e aos próprios custos de se instalarem na fazenda paulista, passaram, desde o primeiro momento, a viver sob o jugo do fazendeiro paulista. Essa realidade fez com que os membros da família Takahashi se mobilizassem para fugir dessa condição, migrando primeiramente para a cidade de Uberlândia e, logo em seguida, vindo para a recém-fundada capital mineira.
Em Belo Horizonte, Motokichi e Kenjiro, os dois heróis dessa saga, junto com outros membros de sua família, instalaram-se na região hoje conhecida como Venda Nova e, ao arrendarem uma grande extensão de terra, fundaram a Fazenda Mikado. Essa propriedade agrícola, devido aos conhecimentos técnicos trazidos do Japão por Motokichi e Kenjiro, no que diz respeito ao cultivo da terra, em poucos anos despontou na produção de hortifrutigranjeiros, suprindo não só a demanda da capital mineira, mas chegando a enviar produtos para a capital nacional, que naquela época era o Rio de Janeiro.
A estabilidade e os tempos de bonança da família Takahashi duraram pouco. Em 1942, a entrada do governo brasileiro na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, declarando o Japão — que compunha, com Alemanha e Itália, as nações do Eixo — como inimigo, fez com que passasse a perseguir todos os cidadãos japoneses que viviam no Brasil. Com isso, a Fazenda Mikado foi desapropriada pelo Estado brasileiro, todos os homens da família Takahashi foram presos e enviados para a Penitenciária Agrícola de Neves, e as mulheres e as crianças da família ficaram à própria sorte, encontrando abrigo no Bairro Areias, onde sobreviveram a duras custas durante anos, chegando a depender da ajuda de fazendeiros locais, que forneciam ossos do gado abatido para a sua alimentação.
Fato importante desse violento processo descrito acima é que a estadia dos homens da família Takahashi na Penitenciária Agrícola de Neves (PAN) ajudou a consolidar o próprio nome da unidade prisional, tendo em vista que, no tempo em que estiveram presos nessa unidade, receberam a permissão e o incentivo dos diretores para ensinarem técnicas de cultivo da terra aos demais detentos. Ao ponto de, após o fim das hostilidades entre Brasil e Japão com o término da guerra, mesmo depois de libertados, alguns membros da família continuarem trabalhando nessa função dentro da Penitenciária Agrícola de Neves.
Após a soltura dos homens da família Takahashi e o reencontro com as mulheres e crianças, com o fim da guerra — que teve como saldo a quase total destruição do Japão, inclusive com seu território sendo atingido por duas bombas atômicas —, o plano de enriquecer e voltar para o Japão não era mais possível, tendo em vista que, nas palavras dos próprios imigrantes, “não havia mais Japão para retornar”.
Com isso, as famílias Takahashi, mesmo com muito preconceito enfrentado por elas em contexto pós-guerra — preconceitos inclusive incentivados pelo próprio Estado —, resolveram se estabelecer na região do Bairro Areias e hoje configuram uma grande comunidade que representa um pedaço do Japão em Ribeirão das Neves, e que merece ter sua história valorizada e melhor conhecida.
Por isso, se você faz parte da família Takahashi e/ou sabe de alguma particularidade que possa nos ajudar a contar melhor essa história, pode entrar em contato conosco pelo seguinte endereço: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


O RibeiraoDasNeves.net é atualmente o maior site de conteúdo de Ribeirão das Neves. Nosso principal objetivo é oferecer diariamente aos nossos leitores informação de utilidade pública e imparcial.
No ar desde janeiro de 2009, o portal é a maior referência na internet para assuntos relacionados ao município.
SAIBA MAIS