Obra documental registra o cotidiano de crianças e adolescentes do Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário, destacando a continuidade das tradições e a força da identidade negra.
No próximo dia 29 de maio (sexta-feira), às 20h, o Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário será o cenário do lançamento do fotolivro “Griots do Amanhã: A Participação de Crianças e Jovens no Quilombo Nossa Senhora do Rosário – Justinópolis- MG.”. O projeto é um mergulho visual e narrativo em um território onde a geografia se funde à memória, apresentando a infância quilombola não como um tempo isolado, mas como a pulsação viva de uma história secular.
O fotolivro revela como crianças e adolescentes do Quilombo Justinópolis ocupam o papel de guardiões da tradição. Através de imagens e textos sensíveis, a obra demonstra que o aprendizado no quilombo acontece no corpo: no toque do tambor, no giro da dança e na escuta atenta aos mais velhos.
Diferente de uma visão estática da cultura, “Griots do Amanhã” mostra jovens que transitam com naturalidade entre a tradição e a contemporaneidade. “As imagens revelam histórias em continuidade. São crianças que habitam o presente, conectadas ao passado e comprometidas com o futuro”, destaca o texto de apresentação da obra.
O projeto enfatiza que, no Quilombo, a identidade não é um conceito abstrato, mas uma experiência cotidiana de pertencimento. Em um mundo que frequentemente silencia a infância negra, o Quilombo se afirma como um espaço de liberdade, autoestima e reconhecimento, onde o som do tambor orienta a experiência coletiva e ensina sem a necessidade de palavras.
O livro também presta homenagem aos mais velhos, figuras centrais na formação das novas gerações. A relação intergeracional, marcada pelo respeito e pelo afeto, garante que o passado se mantenha presente. Ao tocar um instrumento ou participar de um ritual, cada jovem reforça um elo com os ancestrais e garante a permanência da cultura local.
O lançamento no dia 29 de maio será uma celebração desta rede de afetos, convidando o público a olhar com cuidado para a força das infâncias quilombolas — uma história que insiste em viver e se renovar.
No lançamento, haverá também apresentações musicais do Coral Vozes de Campanhã e de Marcos Brey, artistas de Ribeirão das Neves que incorporam em seus repertórios reflexões sobre questões raciais, identidade e pertencimento.
De acordo com a coordenadora do projeto, Maria Clara Ribeiro Soares “O fotolivro veio de um processo de pesquisa de anos no Quilombo do Rosário de Justinópolis e fico muito feliz em vê-lo pronto e saber que irá circular pela cidade para que todos tenham acesso a beleza e riqueza que é a relação dos mais novos com o Quilombo.”
SERVIÇO
Evento: Lançamento do Fotolivro “Griots do Amanhã”
Data: 29 de maio (sexta-feira)
Horário: 20h
Local: Quilombo Irmandade Nossa Senhora do Rosário (Justinópolis)
Entrada: Gratuita
O reitor do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Rafael Bastos Teixeira, nomeou nesta quinta-feira (14) o professor David Silva Franco como o novo Diretor-Geral Pro Tempore do Campus Ribeirão das Neves. A designação foi oficializada por meio da Portaria nº 2313/IFMG.
O anúncio ocorreu durante a reunião do Colégio de Dirigentes, realizada em Conselheiro Lafaiete. O evento contou com a participação da então diretora-geral substituta, Aline Sima, além de gestores dos demais campi da instituição. A nomeação passa a ter validade jurídica a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU).
Perfil e trajetória
Aos 35 anos, David Silva Franco possui um currículo sólido no ensino federal. Docente do IFMG desde 2018, é graduado em Administração pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e doutor na mesma área pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Em sua passagem pelo Campus Ribeirão das Neves, Franco consolidou sua liderança ao coordenar o curso Técnico Integrado em Administração e ao encabeçar projetos de pesquisa que receberam premiações institucionais. Agora, ele assume o desafio de gerir a unidade nevense em caráter temporário.
Uma ação conjunta entre as polícias Civil (PCMG) e Militar (PMMG) resultou na prisão preventiva de um homem de 32 anos no último sábado (5). O suspeito, localizado no município de Ribeirão das Neves, é investigado por perseguir e ameaçar uma adolescente de 15 anos em uma unidade de acolhimento na capital.
Histórico de abuso e Perseguição
O caso é acompanhado pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), que instaurou inquérito no início de maio após denúncias de ameaças. De acordo com as investigações, o histórico de violência começou anos atrás: o homem teria engravidado a vítima quando ela tinha apenas 13 anos.
Atualmente, a adolescente vive no abrigo com o filho, de um ano de idade. Segundo relatos colhidos pela polícia, o homem frequentava as imediações do local e chegava a intimidar não apenas a jovem, mas também os funcionários da instituição.
Desdobramentos
Após ser detido em solo nevense, o suspeito foi conduzido à delegacia e, posteriormente, encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para a completa elucidação dos fatos e apuração de outros possíveis crimes envolvidos no histórico do autor.
Dias atrás tive a felicidade de compartilhar um momento de rara felicidade, que foi a comemoração das “Bodas de Ouro” de meus primos Lúcio e Rose.
Tudo levava a crer ser mais uma cerimônia seguindo os protocolos habituais que somos acostumados a seguir.
Mas assim que se iniciou a cerimônia, foram surgindo surpresas que enriqueceram e abrilhantaram a comemoração, encantando a todos que se fizeram presentes.
Pais de 01 filho 3 filhas e uma neta, que se propuseram abençoar a renovação, sem presenças de autoridades religiosas.
A partir dai o evento passou a ser único, caracterizando a cumplicidade e os laços afetivos da família.
Os filhos, cada um deles externando seus agradecimentos e admiração pelos pais, com palavras vindas de dentro do coração, deixando nítida impressão de sinceridade, sem nenhum compromisso protocolar, deixando todos com semblante de emoção.
A netinha, (um show a parte), cantou lindamente a música para entrada dos padrinhos e das alianças. Depois falou dos avós, como sendo o que de mais importante existe no mundo.
Após a renovação dos votos feita pelo jovem casal que completou 50 anos de casados, cada um a sua maneira, repassou a homenagem que seria para eles, para as pessoas que os rodeiam no dia-dia, sem esquecer os que partiram para outra missão, demonstrando o valor e a importância que dão para a família e para as pessoas.
Apesar de tudo estar impecável, desde a linda Cerimônia de Bênçãos, decoração, guloseimas e repertório musical, o que importava para eles, era a alegria do reencontro com os que lhes são caros.
Tenho a convicção de que, quem nos lê, tenha o entendimento de que tudo que externai é pertinente a este tipo de comemoração. E é mesmo!
Ocorre que a magia do evento, que fez com que até os mais insensíveis se vissem a enxugar lágrimas de emoção, se tornasse único, e portanto impossível descrever através de uma narrativa. Ali, pudemos reviver a força do laço familiar.
Ali reencontramos e abraçamos amigos e parentes queridos, que tiveram de seguir suas trajetórias, mas permaneceram fazendo parte e tendo importância em nossas vidas. E foi exatamente isto que o casal solicitou a todos. “aproveitem este momento, se permitam serem abraçados, abracem, revivam, vivam, dancem, vivam enquanto estiverem vivos, pois nosso maior patrimônio... São as pessoas!”
Ainda impregnado com alegria incontida de ter podido estar neste momento inesquecível, só me resta agradecer aos jovens noivos pela honra.
Ali, senti a força e a importância de ser e ter FAMÍLIA!
Doença voltou ao debate após casos em cruzeiro, mas não há motivo para alarme; Minas mantém estratégias permanentes de capacitação e monitoramento
A investigação de possível transmissão de hantavírus entre passageiros de um navio de cruzeiro, no Atlântico Sul, acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trouxe o assunto de volta ao debate. No Brasil, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclarece que o cenário é diferente, a hantavirose está associada ao contato direto com roedores silvestres, principalmente em áreas rurais, e a cepa identificada no país não é transmitida de pessoa para pessoa.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, não há motivo para alarme. “Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado”, afirmou.
A doença tem ocorrência pontual no estado e exige vigilância contínua, especialmente em regiões rurais. Minas tem atuação reconhecida nessa área e investe na capacitação de equipes. Em 2024, foi o primeiro estado do país a sediar treinamento prático em investigação de doenças zoonóticas, com foco em hantavirose e peste.
"As ações de vigilância e prevenção são contínuas. Isso leva à consolidação de estratégias permanentes pelos municípios com apoio do Estado, incluindo atividades educativas e monitoramento epidemiológico", comenta o subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi.
Iniciativa premiará até 500 estudantes e professores com viagem internacional, além R$ 600 mil em prêmios
Estudantes e professores da rede pública estadual de ensino podem se inscrever na quarta edição do Desafio Liga Jovem, em que equipes de até cinco estudantes e um professor orientador devem criar uma solução usando tecnologia para melhorar a escola ou comunidade, como aplicativos, jogos, produtos e serviços.
O Desafio Liga Jovem é uma olimpíada nacional que apoia o desenvolvimento de competências empreendedoras de estudantes e professores orientadores participantes, os ajudando a se reconhecerem como protagonistas de mudanças em sua realidade. A participação considera projetos desenvolvidos ao longo da ação e iniciativas já em andamento ou oriundas de outras ações realizadas no contexto escolar, fundamentalmente com potencial de impacto social.
Um dos projetos já inscritos em 2026 é o “Hydrovortex”, solução para o monitoramento e assistência em enchentes proposta por estudantes da Escola Estadual Coronel Adelino Castelo Branco, de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A equipe é formada pelos estudantes Pedro Augusto Câmara e João Paulo Santos, do 1º ano do Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI) profissionalizante em Administração, e pelo professor de química Filipe Siqueira.
Eles estão desenvolvendo uma solução tecnológica baseada em robôs multifuncionais, capaz de auxiliar na prevenção, monitoramento e resposta a enchentes, contribuindo para a redução de riscos e a preservação de vidas. O projeto consiste no desenvolvimento de robôs equipados com sensores e sistemas de comunicação.
“Pensando em resolver esse problema com trabalho em equipe, tecnologia, robótica e inovação, os nossos estudantes pensaram em localizar e resgatar vítimas de enchentes a partir de um robô”, explica o professor Filipe Siqueira.
Iniciativa disponibiliza 5 mil vagas com foco em saúde mental; interessados podem garantir seis sessões de terapia online até o mês de agosto.
A Central Única das Favelas (CUFA), em uma parceria estratégica com a Favela Seguros, anunciou o lançamento de um programa nacional de apoio à saúde mental.
A iniciativa oferece atendimento psicológico gratuito, realizado inteiramente via videochamada, destinado a pessoas de todo o território brasileiro que buscam suporte emocional, mas enfrentam barreiras para acessar o serviço de forma particular.
Sob o lema de que "dar conta de tudo sozinho não é fácil", o projeto visa democratizar o acesso à terapia, unindo a capilaridade da CUFA nas comunidades com a estrutura tecnológica e de serviços da Favela Seguros e da TEM Saúde.
O suporte é estruturado para oferecer um acompanhamento contínuo e não apenas um atendimento pontual. Ao todo, cada beneficiário terá direito a:
6 consultas por videochamada, distribuídas ao longo de três meses.
Frequência: Duas consultas por mês.
Capacidade: O projeto é limitado às primeiras 5 mil pessoas cadastradas.
O período de agendamento e inscrições já está aberto e segue até o dia 31 de agosto de 2026. Para participar, o interessado deve acessar o link oficial da campanha (disponível nos perfis das redes sociais da CUFA e da Favela Seguros) e preencher o formulário de cadastro.
Após a inscrição, o processo de triagem e liberação ocorre de forma ágil: em até 72 horas, o usuário recebe as orientações de acesso à plataforma de atendimento através de e-mail e SMS enviados pela operadora TEM Saúde. A partir desse contato, é possível realizar o agendamento das sessões conforme a disponibilidade de horários.
Serviço
O quê: Atendimento psicológico gratuito (online).
Quem pode participar: Moradores de todo o Brasil.
Prazo: Até 31 de agosto de 2026 (ou enquanto durarem as vagas).
Inscrições: Acesse o link oficial aqui.
A organização reforça a importância de ler o regulamento completo no site oficial e incentiva o compartilhamento da informação para que o benefício chegue àqueles que mais necessitam de cuidado psicológico no momento.
O Instituto O Grito consolidou sua posição como uma das grandes referências de gestão no Terceiro Setor brasileiro durante o FIFE 2026 (Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica). Considerado o maior evento da área no país, o fórum aconteceu na capital pernambucana entre os dias 14 e 17 de abril, reunindo as principais lideranças e organizações da sociedade civil para debater inovação e sustentabilidade institucional.
O Reconhecimento pela Fundação Dom Cabral
A trajetória do Instituto foi o centro das atenções em um painel conduzido pela Fundação Dom Cabral (FDC), uma das escolas de negócios mais prestigiadas do mundo. A FDC utilizou a organização mineira como um case de sucesso para ilustrar a maturidade organizacional e a evolução da liderança no campo social.
Durante a apresentação, a FDC detalhou a jornada estratégica do Instituto, focando especialmente na transformação do papel de seu fundador e CEO, Léo Martins. O modelo de gestão apresentado baseou-se em quatro pilares fundamentais:
De Executor a Estrategista: A transição essencial da liderança operacional para o campo da estratégia, viabilizando o crescimento da instituição.
Visão de Horizonte: A competência de antecipar tendências e planejar o futuro organizacional com foco no longo prazo.
Gestão Baseada na Confiança: O fortalecimento da equipe interna como elemento central para uma governança eficiente.
Delegação e Impacto: O entendimento de que descentralizar processos é o motor necessário para multiplicar o impacto social no território.
Referência Técnica e Social
O destaque no FIFE 2026 valida o processo de profissionalização das operações do Instituto O Grito em Ribeirão das Neves (MG). Para além do trabalho de campo, o reconhecimento posiciona a entidade como uma referência técnica nacional.
"A eficiência administrativa e o uso estratégico da tecnologia são pilares essenciais para a transformação social e o alcance da dignidade humana".
Com essa validação, o Instituto demonstra que a gestão de excelência não é exclusividade do setor privado, mas uma ferramenta indispensável para organizações que buscam escala e sustentabilidade em suas causas.
A pergunta que dá título a este texto motivou pesquisa realizada pelo Observatório de Ribeirão das Neves, tendo em vista a forte presença, na região de Justinópolis e Areias, de famílias de origem japonesa. Nosso objetivo foi reconstruir os caminhos e descaminhos que levaram os pioneiros da família Takahashi a abandonarem a sua terra natal e migrarem para o Brasil.
Essa saga se inicia no ano de 1926, ou seja, completa 100 anos em 2026, quando os patriarcas dessa família, Motokichi e Kendiro Takahashi, chegaram ao Brasil para trabalhar nas fazendas de café no interior de São Paulo. O contexto em que viviam o Brasil e o Japão é de fundamental importância para compreender a trajetória vivida por essa família. Naquele período, o Japão enfrentava uma crise populacional e incentivava seus cidadãos a irem para outros países adquirir riqueza e retornar, o mais breve possível, trazendo recursos para ajudar a desenvolver o país. Esse incentivo chegava ao ponto de permitir que os cafeicultores paulistas fizessem propaganda para recrutar japoneses a virem para o Brasil, no intuito de trabalharem nas fazendas do “ouro negro”, ou seja, do café.
Já o contexto brasileiro era marcado pela crise do perverso projeto eugenista brasileiro, que, com o fim da escravidão, tinha o propósito de “clarear a raça” do país, trazendo para o Brasil imigrantes alemães e italianos — nações que, no final do século XIX e início do XX, enfrentavam fortes quadros de pobreza e guerra — para substituir a mão de obra tradicionalmente exercida pelos negros. A questão era que, no início do século, o governo brasileiro enfrentava problemas para trazer novos imigrantes italianos e alemães, pois os governos de seus respectivos países haviam proibido a vinda de seus cidadãos para trabalhar nas fazendas do interior paulista, diante de denúncias de escravidão por dívida. Ou seja, assim como fizeram com a população de origem africana, buscavam escravizar alemães e italianos, dessa vez pela modalidade de escravidão por dívida.
Frente a essa proibição, os cafeicultores paulistas, com incentivo do governo brasileiro, mesmo enfrentando o preconceito dos brasileiros frente à “raça amarela”, resolveram suprir essa lacuna de mão de obra incentivando a imigração japonesa e, em uma dessas levas, os pioneiros da migração japonesa em Neves chegaram ao Brasil.
O cenário que encontraram não foi nada diferente do apresentado aos italianos e alemães. As promessas de prosperidade e riqueza se desfizeram no próprio Porto de Santos. Como haviam contraído dívida referente à viagem e aos próprios custos de se instalarem na fazenda paulista, passaram, desde o primeiro momento, a viver sob o jugo do fazendeiro paulista. Essa realidade fez com que os membros da família Takahashi se mobilizassem para fugir dessa condição, migrando primeiramente para a cidade de Uberlândia e, logo em seguida, vindo para a recém-fundada capital mineira.
Em Belo Horizonte, Motokichi e Kenjiro, os dois heróis dessa saga, junto com outros membros de sua família, instalaram-se na região hoje conhecida como Venda Nova e, ao arrendarem uma grande extensão de terra, fundaram a Fazenda Mikado. Essa propriedade agrícola, devido aos conhecimentos técnicos trazidos do Japão por Motokichi e Kenjiro, no que diz respeito ao cultivo da terra, em poucos anos despontou na produção de hortifrutigranjeiros, suprindo não só a demanda da capital mineira, mas chegando a enviar produtos para a capital nacional, que naquela época era o Rio de Janeiro.
A estabilidade e os tempos de bonança da família Takahashi duraram pouco. Em 1942, a entrada do governo brasileiro na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, declarando o Japão — que compunha, com Alemanha e Itália, as nações do Eixo — como inimigo, fez com que passasse a perseguir todos os cidadãos japoneses que viviam no Brasil. Com isso, a Fazenda Mikado foi desapropriada pelo Estado brasileiro, todos os homens da família Takahashi foram presos e enviados para a Penitenciária Agrícola de Neves, e as mulheres e as crianças da família ficaram à própria sorte, encontrando abrigo no Bairro Areias, onde sobreviveram a duras custas durante anos, chegando a depender da ajuda de fazendeiros locais, que forneciam ossos do gado abatido para a sua alimentação.
Fato importante desse violento processo descrito acima é que a estadia dos homens da família Takahashi na Penitenciária Agrícola de Neves (PAN) ajudou a consolidar o próprio nome da unidade prisional, tendo em vista que, no tempo em que estiveram presos nessa unidade, receberam a permissão e o incentivo dos diretores para ensinarem técnicas de cultivo da terra aos demais detentos. Ao ponto de, após o fim das hostilidades entre Brasil e Japão com o término da guerra, mesmo depois de libertados, alguns membros da família continuarem trabalhando nessa função dentro da Penitenciária Agrícola de Neves.
Após a soltura dos homens da família Takahashi e o reencontro com as mulheres e crianças, com o fim da guerra — que teve como saldo a quase total destruição do Japão, inclusive com seu território sendo atingido por duas bombas atômicas —, o plano de enriquecer e voltar para o Japão não era mais possível, tendo em vista que, nas palavras dos próprios imigrantes, “não havia mais Japão para retornar”.
Com isso, as famílias Takahashi, mesmo com muito preconceito enfrentado por elas em contexto pós-guerra — preconceitos inclusive incentivados pelo próprio Estado —, resolveram se estabelecer na região do Bairro Areias e hoje configuram uma grande comunidade que representa um pedaço do Japão em Ribeirão das Neves, e que merece ter sua história valorizada e melhor conhecida.
Por isso, se você faz parte da família Takahashi e/ou sabe de alguma particularidade que possa nos ajudar a contar melhor essa história, pode entrar em contato conosco pelo seguinte endereço: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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