O assassinato brutal de três mulheres dentro de uma padaria em Ribeirão das Neves não foi apenas um episódio de violência isolada; foi o ápice de uma crise de gênero que coloca Minas Gerais como o segundo estado com maior índice de feminicídios no Brasil. Somente em 2025, 139 mineiras perderam a vida pelo simples fato de serem mulheres. Em Neves, o crime recente escancarou uma ferida que a política local preferiu ignorar.
Durante a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026, a discussão sobre a proteção à mulher ganhou contornos dramáticos. A vereadora Marcela Menezes Costa (PT) apresentou a Emenda 006-C/2025, que propunha elevar o orçamento destinado ao combate à violência contra a mulher de simbólicos R$ 100 mil para R$ 1 milhão anuais.
A proposta previa que o recurso fosse utilizado para:
Acolhimento e abrigo de mulheres sob ameaça;
Atendimento psicológico especializado;
Campanhas de prevenção em escolas;
Fortalecimento da rede de proteção.
Para viabilizar o valor, a emenda sugeria o remanejamento de verbas do projeto "Mais Asfalto Novo", da Secretaria de Obras. No entanto, o argumento de que "a proteção à vida deve ter prioridade imediata sobre obras que podem ser reprogramadas" não convenceu a maioria dos parlamentares.
Por 13 votos a 3, a base governista rejeitou a ampliação do orçamento, seguindo a orientação da Prefeitura de priorizar a infraestrutura urbana. Com a decisão, a cidade que protagoniza cenas de horror como o triplo feminicídio em plena luz do dia, continuará destinando apenas R$ 100 mil por ano — valor considerado insuficiente por especialistas para manter qualquer política pública de impacto real.
🚫 Votaram CONTRA a verba de R$ 1 milhão para mulheres (Mantiveram o dinheiro no asfalto):
Weberson Diretor, Luiz da Regional, Marcelo de Jesus, Mazinho da Quadra, Diney Duarte, Renato Diretor, Pastor Dário, Ilânio Miranda, Ramon Filho do Girico, Carrerinha, Bebeto e Estevão do Ranchim.
✅ Votaram A FAVOR da verba para proteção à mulher:
Marcela Menezes, Giovani Sacolão e Isabella Guimarães.
O bloqueio ao projeto revela que, na política nevense, a vida das mulheres ainda não ocupa o centro do orçamento público. O feminicídio é o resultado final de um sistema que falha em agir preventivamente. Ao negar recursos para o acolhimento, o poder público retira a saída de emergência de mulheres que estão, hoje, sendo ameaçadas dentro de suas casas.

