Por Lucimar Souza
Livro usa cores como metáfora para mostrar que a escola é construída por diferentes vivências — e que valores como respeito e acolhimento são parte desse processo
A ideia de pertencimento costuma aparecer nos debates educacionais associada aos alunos. Mas quem, de fato, faz parte da escola?
O livro “Quantas cores a escola tem?” amplia essa discussão ao apresentar o ambiente escolar como um espaço construído a partir das vivências de cada pessoa — onde diferentes histórias, trajetórias e funções se encontram e se transformam em aprendizado coletivo.
Na narrativa, conduzida pela personagem Lila, a escola não é composta apenas por crianças e professores. Funcionários da limpeza, equipe da cozinha, gestão e famílias também aparecem como parte ativa desse cotidiano. Cada um chega com sua experiência, sua forma de ver o mundo e de se relacionar com o outro.
As ilustrações de Augusto Figilaggi reforçam essa proposta ao dar visibilidade às diferentes pessoas que compõem o ambiente escolar, ampliando, por meio das cores e dos traços, a ideia de diversidade e pertencimento.
Uma escola feita de vivências
Ao longo da história, a escola é apresentada como um espaço onde o cotidiano é atravessado pelas experiências individuais. Quem prepara a comida, quem organiza os espaços, quem acolhe na entrada e quem ensina em sala contribuem não apenas com suas funções, mas com suas vivências.
Essas experiências se refletem nas relações estabelecidas dentro da escola. É nesse convívio que valores como respeito, cuidado e acolhimento deixam de ser conceitos abstratos e passam a fazer parte da rotina.
O pertencimento, nesse contexto, não se constrói apenas pela presença, mas pela forma como cada pessoa é reconhecida e considerada dentro do coletivo.
As cores como expressão das diferenças
A metáfora das cores atravessa toda a obra e ganha um significado ampliado. Cada cor representa não apenas uma diferença visível, mas também as vivências que cada indivíduo carrega.
Histórias familiares, culturas, formas de aprender, modos de se comunicar e experiências de vida compõem esse mosaico. Assim como em um arco-íris, nenhuma cor se sobrepõe à outra — todas coexistem e se complementam.
Nesse cenário, o respeito surge como condição para a convivência, o cuidado como prática cotidiana e o acolhimento como base das relações.
Cuidar também é educar
O livro também inclui a alimentação como parte desse conjunto de experiências. As refeições, descritas como equilibradas e planejadas, envolvem o trabalho de diferentes profissionais e refletem uma dimensão importante do cuidado dentro da escola.
Mais do que atender a uma necessidade básica, alimentar-se nesse contexto também se torna uma experiência de convivência, partilha e aprendizado.
Literatura que forma para além da sala de aula
Ao apresentar uma escola marcada pela diversidade de vivências, “Quantas cores a escola tem?” contribui para ampliar a compreensão sobre o que significa, na prática, pertencer a esse espaço.
A obra sugere que a escola não é apenas um lugar de ensino formal, mas um ambiente onde valores são construídos nas relações diárias.
Quando diferentes experiências são reconhecidas e respeitadas, o aprendizado deixa de ser individual e passa a ser compartilhado — como as cores que, juntas, formam um todo.

