O que separa uma praça em Ribeirão das Neves de um transatlântico em Miami? Para Paulo Henrique, a resposta é uma fita de poucos centímetros de largura.
O jovem, que descobriu o slackline quase por acaso ao assistir a uma competição na Cidade dos Meninos, hoje leva o nome de sua cidade natal para palcos internacionais, provando que o equilíbrio é tanto uma técnica física quanto uma filosofia de vida.
A trajetória de Paulo não começou sob os holofotes, mas sim no suor das oficinas do projeto Neves na Fita. Mais do que ensinar as manobras, o projeto funcionou como uma bússola moral.
"O Neves na Fita foi muito mais do que um projeto esportivo. Foi uma família que me ensinou disciplina, respeito e visão de futuro", afirma o atleta.
Para ele, a periferia não deve ser vista apenas pela lente da carência, mas como um celeiro de criatividade.
A necessidade de improvisar com poucos recursos forjou o profissional que hoje resolve problemas complexos com a calma de quem treinou na "quebrada".
A transição de atleta de praça para performer internacional não foi sorte; foi estratégia. Após anos de dedicação, Paulo montou um portfólio que chamou a atenção de companhias de cruzeiros.
Mas o glamour de carimbar o passaporte trouxe um desafio técnico sem precedentes: o mar.
Diferente do solo firme, o slackline em um navio exige uma leitura constante. "No navio, a estrutura nunca está estática.
O mar e o vento interferem, e a tensão da fita responde diferente a cada segundo", explica.
Essa adaptação transformou o esportista em um artista da performance, unindo a força física à presença de palco necessária para encantar públicos de diversas nacionalidades.
A convivência com pessoas do mundo inteiro revelou a Paulo uma vantagem competitiva inusitada: a hospitalidade mineira.
Segundo ele, a simpatia e a humildade naturais de quem cresceu em Minas Gerais abrem portas que a técnica sozinha não alcançaria.
Ao carimbar o passaporte pela primeira vez e desembarcar em locais icônicos como Miami, o sentimento foi de gratidão e clareza. "Se eu tivesse escolhido outros caminhos, talvez não estivesse vivendo aquilo. O mundo continua do mesmo tamanho, mas quem cresce é você através das suas escolhas."Hoje, Paulo Henrique carrega o peso e a honra de ser um espelho para os jovens que estão começando no slackline em Ribeirão das Neves.
Ele entende que seu papel agora é pavimentar o caminho, mostrando que a "fita" pode ser esticada até onde o sonho permitir.
Seja no meio do oceano ou em uma apresentação artística, o objetivo de Paulo permanece o mesmo: superar seus próprios limites, não para provar algo ao mundo, mas para descobrir quão longe o equilíbrio pode levá-lo.
Paulo Henrique: Como o slackline transformou um jovem de Neves em cidadão do mundo
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