O homem acusado de matar três pessoas e tentar assassinar uma quarta durante um ataque a uma padaria no bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves, passou a responder judicialmente por mais dois crimes graves cometidos poucas horas depois da chacina. A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia do Ministério Público contra o suspeito pelas tentativas de homicídio contra o proprietário de uma oficina mecânica e o filho dele, no bairro Céu Azul, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte.
Segundo as investigações, o ataque à oficina ocorreu cerca de 15 horas após o crime na padaria. Armado com uma submetralhadora artesanal, o acusado teria ido ao estabelecimento após desentendimentos relacionados à realização de um curso de pintura veicular. Ao chegar ao local, efetuou disparos contra o filho do proprietário, de 17 anos, que conseguiu escapar ao perceber a ação. Em seguida, também atirou contra o dono da oficina, mas a arma falhou e nenhum dos dois foi atingido. Após o crime, o suspeito fugiu, sendo preso posteriormente pela Polícia Militar, que apreendeu a arma utilizada, munições, um colete balístico e uma touca ninja.
O mesmo homem é apontado como autor do ataque ocorrido em uma padaria de Ribeirão das Neves, onde morreram duas adolescentes, de 14 e 16 anos, e uma cliente de 56 anos. Outra jovem sobreviveu ao atentado. De acordo com a investigação, o suspeito confessou os crimes após a prisão.
Enquanto o processo avança na Justiça, familiares das vítimas seguem buscando respostas e justiça. Em entrevista concedida antes da audiência de instrução do caso, o pai de uma das adolescentes assassinadas afirmou que ainda convive diariamente com a dor da perda e espera que o acusado seja levado a júri popular e responsabilizado pelos crimes. O familiar também relatou o sofrimento da filha sobrevivente, que revive constantemente as cenas do ataque.
A aceitação da denúncia pelas tentativas de homicídio amplia a lista de acusações contra o réu, que permanece preso preventivamente enquanto responde pelos ataques ocorridos em Ribeirão das Neves e em Belo Horizonte. O Ministério Público sustenta que a sequência dos crimes evidencia a extrema periculosidade do acusado e pede que ele seja submetido ao Tribunal do Júri pelos delitos praticados.

