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TRAGÉDIA

  • Investigação, comoção e divergências marcam apuração da morte de aluna de 7 anos em Ribeirão das Neves


    Uma tragédia consternou a comunidade escolar de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Emanuelly Lana Martins Soares, de apenas 7 anos, faleceu após passar mal durante o horário da merenda escolar na Escola Municipal Bruna Diniz Patrocínio Alves, localizada no bairro Liberdade.

    Embora o socorro médico e o Corpo de Bombeiros tenham sido acionados, o caso gerou fortes controvérsias entre os relatos da Prefeitura de Ribeirão das Neves e a versão apresentada por pessoas próximas à família da criança. Em solidariedade à perda, o município decretou luto oficial de três dias.

    Versão oficial e atendimento emergencial


    De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) e a Prefeitura de Ribeirão das Neves, a hipótese primária é de que a estudante teria se engasgado enquanto consumia a refeição. Durante a ligação de emergência, os bombeiros orientaram por telefone os funcionários da escola sobre como realizar as manobras de desobstrução das vias aéreas.

    Simultaneamente, profissionais da unidade básica de saúde ao lado do colégio foram acionados para prestar apoio imediato antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Segundo a Prefeitura, a ambulância do SAMU chegou em cerca de 15 minutos e realizou manobras de reanimação cardiorrespiratória por mais de 40 minutos, mas a aluna não resistiu e o óbito foi constatado no local.

    Em posicionamento técnico, o médico e representante da saúde do município, William Silva, ponderou que o diagnóstico exato da causa da morte depende de laudo pericial da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que já instaurou investigação sobre a ocorrência.

    Divergências sobre o acompanhamento de apoio ao TEA

    Emanuelly tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte. O ponto de maior conflito no caso reside na presença e na necessidade de auxílio profissional durante o período de refeição:

    O que diz a Prefeitura: A secretária municipal de Educação, Dolores Kicila, afirmou em coletiva que Emanuelly possuía acompanhamento para suporte pedagógico por ser uma criança "independente e autônoma" nas tarefas de vida cotidiana. Segundo a gestão, a aluna não exigia profissional exclusivo para a refeição e estava sob supervisão geral de equipe do refeitório. A secretária ressaltou ainda que a profissional de apoio pedagógico da aluna estava presente no colégio e foi quem correu até o posto de saúde vizinho para solicitar socorro.

    O que diz a família: Em contrapartida, representações e amigos da família denunciam que a ausência de um acompanhamento direto no momento da alimentação foi determinante para a tragédia. A alegação da família é de que qualquer criança autista deveria contar com auxílio no refeitório para prevenção de engasgos ou imprevistos, atribuindo o ocorrido a uma falha de assistência por parte da gestão pública.

    Despedida emocionante e providências administrativas


    Sob forte comoção de familiares, amigos e membros da comunidade escolar, o velório de Emanuelly Lana Martins Soares foi realizado nesta quinta-feira (13), entre 9h e 11h, no Memorial Neves, em Ribeirão das Neves.

    Em decorrência do trauma e em respeito ao luto coletivo, as atividades da Escola Municipal Bruna Diniz Patrocínio Alves foram suspensas. A Prefeitura informou que abriu uma sindicância administrativa para apurar internamente a conduta dos profissionais e os procedimentos adotados durante o socorro, enquanto aguarda o encerramento do laudo necroscópico da Polícia Civil para sanar as dúvidas sobre as causas exatas do óbito.

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