Uma força-tarefa liderada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou, nesta semana, a Operação Tráfico Digital, que resultou no resgate de mais de 160 animais silvestres e exóticos em Ribeirão das Neves. A ação, realizada entre os dias 12 e 13 de maio, mirou um estabelecimento que utilizava as redes sociais para a comercialização irregular de fauna.
A operação contou com a participação de mais de 40 servidores, incluindo peritos, fiscais do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e agentes das polícias Civil e Militar. O alvo foi um local conhecido na internet como "Mini Rancho Neverland", que acumulava mais de 580 mil seguidores e exibia animais em contextos que sugeriam venda ilegal.
Diversidade de espécies e maus-tratos
Durante a fiscalização, as equipes encontraram 18 espécies diferentes vivendo em condições inadequadas, ambientes superlotados e sem a documentação regular exigida por lei. Entre os animais resgatados estão:
Aves: Araras-canindé, araras-macau, tucanos, papagaios-do-congo e cacatuas.
Mamíferos: Cervos, veados-catingueiros, quatis, cutias e saguis.
Outros: Jiboias, grous e escorpiões-imperadores.
Os animais foram encaminhados ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), onde recebem atendimento veterinário e passarão por uma avaliação técnica para determinar se podem retornar à natureza ou se serão enviados a mantenedores autorizados.
Prisão e multas milionárias
O responsável pelo local, um homem de 41 anos, foi preso em flagrante. A Justiça já converteu a prisão em preventiva, e ele responderá por crime ambiental e maus-tratos. Além das sanções penais, a multa administrativa aplicada pelos órgãos ambientais está em fase de cálculo e pode chegar a R$ 1,2 milhão.
As investigações apontam que o suspeito realizava vendas para compradores de diversas regiões do país. No local, também foram apreendidos computadores, celulares e máquinas de cartão, que serão periciados para identificar a extensão da rede de comércio ilegal.
Impacto na vizinhança
Relatos de moradores vizinhos ao rancho indicam que o local frequentemente promovia eventos com luzes de alta potência e som alto durante a madrugada, o que afetava o bem-estar dos animais confinados e da fauna local, já que a região possui áreas de reserva ambiental.