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CONSCIENTIZAÇÃO

  • Feminicídios e agressões revelam dimensão da violência contra mulheres em Ribeirão das Neves



    Dados nacionais e locais, além de debate em audiência pública, revelam desafios para enfrentar a violência de gênero e fortalecer a rede de proteção às mulheres.

    Por Vanessa Camila da Silva, jornalista colaboradora

    A violência doméstica quase nunca começa com um tapa. Ela costuma aparecer de forma silenciosa, em pequenos gestos de controle, ameaças ou humilhações que se intensificam com o tempo. Quando não é interrompida, essa escalada pode terminar de forma trágica. No Brasil, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que uma mulher é assassinada a cada duas horas.
    Em Ribeirão das Neves, os registros de agressões domésticas, o aumento de medidas protetivas e a crescente procura por serviços de acolhimento evidenciam que essa realidade também está presente no cotidiano da cidade. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 1.518 vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, média de mais de quatro assassinatos por dia, sendo a maioria no contexto familiar.
    Criada em 2006 para enfrentar a violência doméstica, a Lei Maria da Penha trouxe avanços na proteção das vítimas e na responsabilização dos agressores. Ainda assim, os números recentes indicam que o problema persiste.
    Em Minas Gerais, foram registrados 139 feminicídios em 2025 e mais de 130 mil ocorrências de violência contra mulheres. Em Ribeirão das Neves, quatro mulheres foram assassinadas no mesmo ano, e 262 casos de violência doméstica foram registrados somente em janeiro de 2026, números que refletem a pressão sobre a rede de proteção e segurança pública.
    Segundo a delegada Cristiane Gaspari, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Neves, o número de medidas protetivas quase dobrou nos últimos anos:
    “Em 2019 e 2020 registrávamos entre 440 e 490 medidas por ano. No último levantamento, esse número chegou a aproximadamente 930.”
    A investigadora Thaís Fernanda Leal da Silva, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), explica que o crescimento reflete tanto o aumento das denúncias quanto o maior conhecimento das vítimas sobre os mecanismos de proteção previstos na lei. Ainda assim, muitos casos não chegam às autoridades.

    Conscientização e prevenção: o papel dos homens

    Especialistas reforçam que, além da proteção às vítimas, é essencial educar homens e meninos sobre respeito, igualdade de gênero e convivência não violenta. Para Felipe Façanha, delegado da 3ª Delegacia de Venda Nova e mestre em segurança pública e cidadania pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG):
    “A violência contra a mulher não é um problema feminino: é social.”
    Roseli Carlos Augusto, pesquisadora e ativista do Centro de Estudo, Pesquisa e Intervenção Ribeirão das Neves, reforça que programas educativos envolvendo homens como agentes de mudança são fundamentais:
    “Precisamos trabalhar desde cedo para transformar mentalidades. Denunciar, dialogar e respeitar a autonomia feminina é responsabilidade de todos.”

    Rede de apoio em Neves

    Na última quarta-feira (5), a Câmara Municipal realizou uma audiência pública para discutir a violência de gênero. A vereadora Marcela Menezes defendeu a criação de um Pacto Municipal contra o Feminicídio, envolvendo órgãos públicos, organizações da sociedade civil e a comunidade.
    Ribeirão das Neves conta com serviços de acolhimento como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e a Casa da Mulher Nevense. Enquanto o CREAS atende mulheres em situação de vulnerabilidade, a Casa da Mulher oferece orientação, atividades educativas e cursos de capacitação.
    Priscilla Marinho, referência técnica na Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Cidadania e presidente do Conselho Municipal de Direitos da Mulher, destaca:
    “O silêncio não é o melhor lugar; que elas consigam entender que falar é importante. Fale com sua vizinha, com sua amiga, com sua mãe, mas diga, peça ajuda.”
    Em 2025, o CREAS de Neves registrou 4.464 atendimentos, com mulheres representando 7,9% desse total. O serviço oferece acolhimento seguro e encaminhamento para programas de proteção, como o consórcio Mulheres das Gerais.
    Genise Figueiredo, secretária municipal adjunta de Governo e coordenadora da Casa da Mulher Nevense, complementa:
    “A Casa da Mulher é um espaço criado para potencializar a mulher, levantar a autoestima e cuidar da mente, do corpo e do espírito.”
    Em quatro anos, a instituição realizou 83.645 atendimentos, com crescimento contínuo: 14 mil em 2023, 23,7 mil em 2024 e 43,2 mil em 2025. A equipe é formada por 27 profissionais e conta com voluntárias dedicadas ao acompanhamento das mulheres.

    Violência estrutural

    Durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal, participantes também destacaram que a violência contra a mulher não se limita aos episódios de agressão física. O problema está ligado a desigualdades históricas, relações de poder e a uma cultura que ainda naturaliza comportamentos machistas.
    Para Bárbara Ravena, cientista política e presidente da União Brasileira de Mulheres em Minas Gerais, compreender esse contexto é fundamental para enfrentar o problema.
    É fundamental que as vítimas saibam a quem recorrer e tenham acesso a canais de apoio confiáveis, como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, a Polícia Militar (190) e a Central de Atendimento à Mulher (180), disponível 24 horas.

    Caminhos para transformação

    Diante desse cenário, especialistas apontam que enfrentar a violência exige fortalecer a rede de proteção, ampliar políticas públicas de prevenção, garantir atendimento qualificado às vítimas e estimular a denúncia. Em Ribeirão das Neves, iniciativas institucionais e comunitárias buscam ampliar o acolhimento e a conscientização.
    Mais do que um problema individual, a violência contra a mulher é um desafio coletivo que envolve instituições públicas e toda a sociedade. O fortalecimento de políticas públicas, aliado à educação, à informação e ao engajamento social, é fundamental para tornar a cidade mais segura e igualitária para todas as mulheres.

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  • Ribeirão das Neves irá receber a 2° edição da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, com data marcada para o domingo, 13 de outubro


    Sob o tema "Amamos Todas as Cores", o evento promete ser um momento de celebração, conscientização e luta por direitos.
    A iniciativa busca visibilizar a comunidade LGBTQIAPN+ na cidade,  promovendo a reflexão sobre os desafios enfrentados por essa população e a importância de garantir seus direitos, destacando a necessidade de políticas públicas mais inclusivas e a luta contra o preconceito e a discriminação.
    A programação do evento é iniciada com concentração às 10h no Pátio da Prefeitura na Av. Ari Teixeira da Costa, 1100 - Savassi.
    Haverá saída de Trio Elétrico em direção à Esplanada Ribeirão, às 14:45.
    Ao todo serão quase 10 horas de evento, contando com diversas intervenções artísticas, atividades culturais, música e espaços de discussão sobre temas relevantes para a comunidade LGBTQIAPN+.
    O evento faz convite à população nevense, para participar e celebrar a diversidade.

    Confira a programação completa abaixo:

    Cronograma Oficial da Parada do Orgulho LGBT de Ribeirão das Neves

    11h Inicio da Concentração no Pátio da Prefeitura.
    Apresentadoras:
    Nickary Aycker e Alicia Belatriz
    11h15 Dj Lucas
    12h30 Sam Times
    12h45 Lu Vieira
    12h50 Intervenção Nickary e Alicia
    12h55 Igreja Cristã Contemporânea
    13h00 Momento Negro
    14h00 Cristal
    14h05 João
    14h10 Cia Power Dance
    14h20 Big Loira
    14h25 Tiffany
    14h30 Pablo
    14h45 Saída do Trio em direção à Esplanada Ribeirão

    2º Bloco
    16h00 Apresentadoras
    Evellyn, Estefane, Alê
    17h15 Beto
    17h30 Allana
    17h35 Momento Miss
    17h40 Ruan
    17h45 Taty
    18h00 Fernanda Tilepa
    18h05 skato
    18h20 Pandora
    18h25 Verônyka
    18h30 Larah Bia
    18h45 Cia Theshine
    18h55 Intervenção
    19h00 W Louis
    19h30 Well Glória
    19h45 Yaskara
    19h50 Calazans
    20h05 Phabricio
    20h20 Momento de agradecimento

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